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A Empresa Jornalística Econômico S.A. (Ejesa), detentora do título do jornal O Dia, com circulação majoritariamente realizada no estado do Rio de Janeiro, requereu na tarde desta terça-feira (27) a desfiliação do veículo da Associação Nacional de Jornais (ANJ). A notícia, divulgada no jornal Brasil Econômico, na coluna do diretor de redação do Ricardo Galuppo, revela um racha na entidade patronal.
Não se sabe o motivo da saída de O Dia da ANJ, mas é certo que muitos veículos não se sentem mais representados pela sua atual presidente, Maria Judith Brito, que, além de ter sido uma das mais importantes articuladoras pelo fim do diploma de jornalismo para o exercício da profissão junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu em entrevista recente que a imprensa atua como um partido de oposição:“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo”, declarou ela. Eis a coluna assinada por Ricardo Gallupo: O Dia fora da ANJ A Empresa Jornalística Econômico S.A. (Ejesa) requereu na tarde de ontem a desfiliação da editora O Dia da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Razões para a medida não faltam. A empresa não se sente representada por uma associação que se conduz de forma tão parcial, desleal e tendenciosa. No início deste ano, a Ejesa, que na ocasião editava apenas o Brasil Econômico, apresentou à ANJ um pedido de filiação, que não mereceu resposta positiva nem recusa formal. Semanas depois, a empresa soube pelo noticiário de um pedido da associação à Procuradoria Geral da República no sentido de investigar sua situação legal. Segundo a entidade (que recorreu aos meios de comunicação antes de fazer qualquer comunicado à empresa), a Ejesa atentava contra o artigo 222 da Constituição. Esse artigo reserva para brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos a exclusividade sobre a propriedade de no mínimo 70% do capital das empresas de comunicação no país. Estrangeiros podem ser detentores de, no máximo, 30% dessas organizações. Sem necessariamente concordar com ele, a Ejesa sente-se muito confortável diante do artigo 222: 70% de seu capital pertence à brasileira nata Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos. Os outros 30% pertencem, sim, ao grupo português Ongoing. Além de registrar a decepção com a forma de ação adotada pela ANJ, a empresa não pode deixar de apontar uma estranha coincidência: o ataque foi desferido dias depois de a Ejesa haver anunciado a intenção de adquirir O Dia, diário de presença destacada no mercado do Rio de Janeiro. Não satisfeita com a representação na Procuradoria, a entidade ainda convocou, por meio de um deputado amigo, uma audiência pública para discutir a questão no âmbito do Poder Legislativo. A despeito de, na ocasião, quatro deputados terem afirmado que nada havia de irregular com a Ejesa, o representante da ANJ disse que nada daquilo importava: o Brasil Econômico, para ele, continuava sob perigoso domínio do capital português. Diante da impossibilidade de diálogo, restou à Ejesa requerer a desfiliação de O Dia da associação que ele ajudou a fundar. E só aceita discutir uma possível volta no dia em que a ANJ agir em nome de todos, e não apenas de dois ou três de seus sócios mais influentes. |