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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo vem a público manifestar sua solidariedade aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato em virtude dos últimos acontecimentos envolvendo os dois acadêmicos da USP e o jornal Folha de S. Paulo.
Não custa recapitular. No dia 17/2 o jornal, na página 2, seção de editoriais, se referiu ao período pós-golpe de 1964 no Brasil de ‘ditabranda’, em vez de ditadura - a propósito de mais um artigo contra Hugo Chávez. Para piorar, no dia 20/2, sob a forma anônima de nota da redação, qualificou como ‘cínica e mentirosa’ a forma indignada como os referidos docentes se manifestaram diante da tentativa de revisão histórica. Até o editor de política do jornal, Fernando de Barros, reagiu dia 24/2. “Quando a tortura se transforma em política de Estado, como de fato ocorreu após o AI-5, o que se tem é a ‘ditadura escancarada’, para falar como Elio Gaspari”, escreveu e editor em sua coluna. Nesse sentido, o SJSP envia a seguinte nota de desagravo a Benevides e Comparato: ‘O SJSP manifesta sua indignação com a tese expressa pelo jornal Folha de S. Paulo no editorial ‘Limites a Chávez’, de 17 de fevereiro, no qual se refere a uma suposta “brandura” da ditadura militar implantada no País depois do golpe de 1964. A liberdade de imprensa, de opinião e, em muitos casos, a própria vida dos jornalistas foram ceifadas naquele período. Apenas como exemplo citamos as mortes de Eduardo Merlino e de Vladimir Herzog, casos rumorosos que tiveram ações recentemente arquivadas pela Justiça em decisões consideradas por muitos como equivocadas. Portanto, repudiamos a posição da Folha de S. Paulo. Nos solidarizamos com os jornalistas da empresa que, obviamente, não concordam com a tese do jornal, com os professores Fabio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides e com os leitores que reclamaram tanto do editorial quanto da grosseira ‘Nota da Redação’ que, além de nada explicar, qualifica as opiniões dos professores de “cínica e mentirosa”. Ao jornalista cabe zelar pela liberdade de expressão e de imprensa, mas sempre dentro do limite da ética e da responsabilidade para com o leitor.” |